Sorry, you need to enable JavaScript to visit this website.
Mar 26, 2015

Mais um passo na redução de desperdícios. Como uma fábrica possui zero desperdícios

Mais um passo na redução de desperdícios. Como uma fábrica possui zero desperdícios


Nos arredores de Newcastle no nordeste de Inglaterra, uma fábrica de confeitaria está a aplicar técnicas antigas de forma a aproveitar os desperdícios que produz.

Um novo sistema numa fábrica da Nestlé de digestão anaeróbica, em Fawdown, está a transformar os resíduos gerados pelos processos de fabricação de chocolate e açúcar em energia renovável e água limpa.

O funcionamento deste sistema tem como base o aproveitamento dos chocolates ou doces que não estão adequados para venda ou reprocessamento, e resíduos como amido e açúcar, são desfeitos em pequenos pedaços. Após essa transformação a mistura é parcialmente dissolvida, recorrendo a desperdícios líquidos usados nos processos da fábrica.

Esse líquido final é introduzido num tanque selado onde irá ocorrer o processo de digestão anaeróbica. Este é um processo natural onde as bactérias decompõem material biodegradável, como comida, num local sem oxigénio, convertendo em produtos de grande utilidade. Com o que se obtém, usamos de modo a contribuir para as necessidades energéticas da fábrica.

Tal técnica já é usada na agricultura e indústria há vários anos, mas o que torna este sistema diferente é o seu desempenho para grandes volumes de desperdícios sólidos e líquidos num curto período de tempo.

Este sistema permite-nos adicionar resíduos mais duros ao processo, como o amido, bem como produtos rejeitados e outros materiais”, refere Inder Poonaji, Head of Sustainability da Nestlé UK e Irlanda. “Desde que o material seja biodegradável é possível a existência de conversão anaeróbica. O desperdício que estamos a converter, sem este aproveitamento, seria libertado para o exterior.”, refere.

A utilidade dos produtos derivados

O principal produto derivado deste sistema é o biogás, um gás renovável composto na sua maioria por metano e dióxido de carbono.

O biogás produzido em Fawdon é usado para gerar calor e produzir cerca de 10% da energia que a fábrica necessita. É expectável que com este aproveitamento do biogás na fábrica de Fawdown as emissões de gases para o efeito estufa reduzam em 10%.

Para além de gerar energia limpa, este processo melhora a qualidade da água que é descarregada pela fábrica numa proporção de 41 piscinas olímpicas por ano.

Tentativa e erro

Apesar de a fábrica estar agora a recolher os benefícios desta iniciativa foi necessário um grande investimento de tempo e dinheiro. Foi criado inicialmente um projeto-piloto de três meses através de uma versão numa escala mais pequena de todo o sistema.

Houve vários elementos a considerar,” diz Inder. “Determinar quais as bactérias a usar necessitou de uma investigação. Foi necessário começar numa escala mais pequena para poder avançar corretamente com o projeto.”

Com um custo de 4.7 milhões de CHF para a sua instalação, apresenta-se como um sistema bastante caro, fator que várias vezes tem retraído a adoção de técnicas similares noutros locais. Mas com a poupança que se espera que represente nos gastos da fábrica estima-se que o investimento seja recuperado em cerca de quatro anos.

À escala real

Neste momento o processo de digestão anaeróbica da fábrica ocorre num tanque gigante com uma elevada cultura de bactérias. Converte cerca de quatro toneladas de resíduos sólidos e 200,000 litros de líquidos por dia, tornando estas instalações uma das 72 fábricas da Nestlé a nível mundial a atingir zero desperdícios. A Empresa tinha estipulado o objetivo de possuir zero desperdícios em 10% das fábricas no ano de 2015, contudo alcançou tal meta com dois anos de antecedência, em 2013, com 56 das suas fábricas, representando um valor de 11%.

A iniciativa de Fawdown é apenas um exemplo dos esforços realizados a nível mundial pela Nestlé no aproveitamento dos desperdícios das suas fábricas para propósitos úteis.

No ano passado iniciou-se a disponibilização de sistemas aos agricultores do Panamá, em pequena escala, para a digestão anaeróbica dos resíduos dos animais para a produção de biogás para cozinhar e para fertilizantes. Desta forma, estes não tiveram que recorrer a madeira como combustível, reduzindo a desflorestação nas áreas envolventes.

A iniciativa aplicada no Panamá está a ser usada noutros locais como China, México e Paquistão.

A Nestlé instalou também um sistema de digestão anaeróbica na sua fábrica de café em Orbe, na Suíça, e está no processo de instalação desta tecnologia na fábrica de água Henniez, na região de La Broye na Suíça, com início previsto para 2016. Este esforço suporta o objetivo de atingir zero desperdícios nas 150 fábricas da europa no ano de 2020.
Article Type