Poderá a alimentação ter um efeito semelhante ao do exercício?

19 Nov, 2014
Pesquisas recentes, realizadas por cientistas Nestlé, sugerem que no futuro os alimentos poderão emular o efeito do exercício no metabolismo corporal.

Ao utilizarem os mecanismos celulares que normalmente são ativados pelo exercício físico, estes produtos poderão ajudar a assegurar um equilíbrio energético saudável. Os indivíduos que poderão beneficiar destes alimentos idealmente serão aqueles que, devido ao estilo de vida, idade avançada, patologia ou incapacidade, apresentam dificuldades em se manterem ativos.

Cientistas do Institute of Health Sciences avaliaram o mecanismo pelo qual o nosso metabolismo é regulado pela molécula responsável pelo controlo do equilíbrio energético corporal.

As conclusões, publicadas no Journal Chemistry & Biology, podem conduzir ao desenvolvimento de produtos que auxiliem indivíduos com complicações metabólicas, como por exemplo obesidade, ou com doenças metabólicas crónicas, como Diabetes Tipo 2.

Estes tipos de problemas podem tornar-se mais prevalentes em indivíduos idosos, que são fisicamente menos ativos.

A próxima etapa desta pesquisa é identificar as substâncias naturais que podem influenciar o mecanismo molecular em causa.

Novo mecanismo

Kei Sakamoto, o responsável pelo Departamento de Diabetes and Circadian Rhythms do Nestlé Institute of Health Sciences, em Lausanne, explicou que o grupo de cientistas responsáveis por este estudo, tentou descobrir de que forma o principal regulador do metabolismo corporal, uma enzima denominada AMP- activated protein kinase (AMPK), é controlada a nível molecular.

“AMPK é uma proteína ‘chave’ para todas as células do nosso organismo e é naturalmente ativada através do exercício físico. Monitoriza o estado energético, tal como se fosse um medidor de combustível de um carro, informando quando é que as reservas energéticas estão baixas e quando é necessário repô-los”, disse o Prof. Sakamoto. 

METABOLIC MASTER SWITCH:Download this infographic (pdf, 500Kb). 


Exercício aumentado

O papel da AMPK é tão importante como a energia que é necessária para todos os processos fisiológicos do nosso organismo, desde a secreção da hormona responsável pela movimentação de um músculo e até mesmo na função cerebral.

“O nosso estudo revelou novos conhecimentos sobre este ‘interruptor’. Em algumas condições, como a diabetes, o organismo não responde corretamente à insulina e as células musculares rejeitam a mensagem de que necessitam de transportar a glucose.”

“Contudo, mesmo sobre algumas condições patológicas, a AMPK pode encontrar uma via alternativa e levar a glucose até ao músculo”, disse o Prof. Sakamoto.

“Idealmente seremos capazes de desenvolver produtos que ajudarão a promover e aumentar o efeito do exercício físico”.

Contudo, alertou para o facto de que nenhum produto jamais irá substituir a prática de exercício físico.

“O exercício apresenta uma grande variedade de efeitos – o papel cognitivo e a função fisiológica – nunca seremos capazes de mimicar todos estes efeitos num único produto,” afirmou.

Ed Baetge, Head of the Nestlé Institute of Health Sciences, disse que esta é a chave para compreender qual a melhor forma de aplicar estes conhecimentos básicos.

“O próximo passo é identificar as substâncias naturais que podem influenciar os mecanismos moleculares”.

“Isto pode levar ao desenvolvimento de novos conhecimentos alimentares com efeitos que, tal como o exercício, poderão ajudar a solucionar complicações metabólicas e manter um equilíbrio energético saudável”, disse.

Referências

1) Hunter RW, Foretz M, Bultot L, Fullerton MD, Deak M, Ross FA, Hawley SA, Shapiro N, Viollet B, Barron D, Kemp BE, Steinberg GR, Hardie DG, Sakamoto K. Mechanism of action of Compound-13: an α1-selective small molecule activator of AMPK, Chemistry & biology. Vol 21, Issue 7, 17 July 2014; 866-879.

2) Ducommun S, Ford RJ, Bultot L, Deak M, Bertrand L, Kemp BE, Steinberg GR, Sakamoto K. Enhanced activation of cellular AMPK by dual-small molecule treatment: AICAR and A769662, Am J Physiol Endocrinol Metab. 2014 Mar; 306(6):E688-96.