Nestlé Research Center descobre de que forma as especiarias podem ser benéficas para determinadas necessidades especiais

26 Jan, 2015
Apesar de serem maioritariamente utilizadas para a alimentação, quando usadas para fins medicinais (medicina tradicional), as especiarias parecem ter um efeito preventivo de certos tipos de patologias físico-psicológicas. Porém, os mecanismos que estão por detrás desses benefícios ainda não estão totalmente conhecidos.

Neste sentido, cientistas do Nestlé Research Center (NRC) e da École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL) comprometeram-se com um projeto conjunto que tem como objetivo aumentar os conhecimentos sobre estes mecanismos e confirmar os efeitos medicinais associados às especiarias.

Com base num estudo, foram elaborados dois trabalhos que demonstraram o forte potencial de certos componentes ativos, presentes nas especiarias, no combate a condições como obesidade, diabetes e até mesmo crises de epilepsia.

Atualmente já é conhecido o mecanismo pelo qual a hortelã e a pimenta transmitem uma sensação de frescura e ardor respetivamente, resultado da ativação dos canais recetores localizados

 

nas terminações nervosas da pele e da língua (Transient Receptor Potential Channels – TRP Channels). Especiarias como a canela e a hortelã podem apresentar verdadeiras propriedades benéficas ao nível da saúde

Porém, ainda está por descobrir se esses mesmos recetores sensoriais podem ser encontrados noutros órgãos, tal como intestino ou cérebro, e quais os efeitos das especiarias ao nível do cérebro e do metabolismo em geral.

Neste mesmo estudo, apurou-se que os componentes das especiarias (eugenol, presente no cravinho ou na noz-moscada; capsaicin, da pimenta; menthol da hortelã) podem diminuir certas atividades neuronais, contrariando os sinais que são indicativos de crises de epilepsia. Esses dados sugerem que algumas especiarias podem desempenhar funções benéficas no tratamento de doenças degenerativas, tal como a Epilepsia, Doença de Alzheimer ou Doença de Huntington, entre outras.

Focando-se no trato gastrointestinal, os cientistas descobriram que, na superfície das células que produzem a hormona da fome (grelina), foram encontrados recetores de cinnamaldehyde (TRPA1), um composto encontrado na canela. A equipa revelou de que forma a administração de cinnamaldehyde reduz a secreção de grelina e, como resultado, abranda o esvaziamento gástrico e sensação de fome após a ingestão de uma única dose. Adicionalmente, uma dose diária de cinnamaldehyde pode reduzir significativamente a hiperglicemia e o ganho de peso corporal. Os TRPA1 possuem potencial de melhoria do metabolismo celular, sensibilidade à insulina e redução de massa gorda.

Os benefícios das especiarias e a ciência que está por detrás das suas propriedades benéficas, apenas agora estão a ser compreendidos.

Referências:

Camacho, S. et al. Anti-obesity and anti-hyperglycemic effects of cinnamaldehyde via altered ghrelin secretion and functional impact on food intake and gastric emptying. Sci. Rep. 5, 7919; DOI:10.1038/srep07919 (2015).

Pezzoli, M. et al. Dampened neural activity and abolition of epileptic-like activity in cortical slices by active ingredients of spices. Sci. Rep. 4, 6825; DOI:10.1038/srep06825 (2014).