Cientistas da Nestlé encontram novas pistas metabólicas para uma vida mais prolongada e saudável

Mar 7, 2013
A “Fonte da Juventude” ainda está por descobrir, mas os cientistas da Nestlé estão no caminho certo para a compreensão dos mistérios de uma vida longa e envelhecimento saudável.

Cientistas do Nestlé Research Center e do Nestlé Institute of Health Sciences, Lausanne, na Suíça, em colaboração com a Universidade de Bolonha, em Itália, identificaram pela primeira vez as pegadas moleculares para a longevidade. O estudo publicado no jornal PLOS ONE relata a descoberta do fenótipo metabólico responsável pelo envelhecimento saudável e longevidade.

Um total de 396 voluntários, com idades compreendidas entre os 21-111 anos de idade, recrutados do norte de Itália, foi dividido em três grupos etários: os centenários (idade média de 101 anos) representantes do modelo saudável de envelhecimento; idosos (idade média de 70 anos); adultos jovens (idade média de 31 anos). Para avaliar a influência da longevidade dos seus pais sobre a saúde, a faixa etária “idosos” foi dividida em dois subgrupos: os filhos de pais centenários e os de pais não-centenários.

Foi avaliado o estado de saúde físico e cognitivo dos voluntários e foram recolhidas amostras de sangue e urina. As amostras em causa foram analisadas com uma abordagem metabonómica (controlo do metabolismo do indivíduo) para detetar assinaturas metabólicas do processo de envelhecimento.

As análises sanguíneas revelaram que lípidos específicos (glicerofosfolípidos e esfingolípidos) se apresentavam excecionalmente alterados nos centenários. Estes apresentavam igualmente um conjunto de compostos em níveis de circulação muito semelhantes aos do grupo de voluntários jovens. As mudanças observadas no perfil lipídico dos centenários sugerem a sua distinta capacidade para a adaptação e resposta às condições inflamatórias oxidativas e crónicas, que normalmente ocorrem durante o processo de envelhecimento, favorecendo assim a longevidade.


Curiosamente, no grupo dos idosos voluntários, foram identificadas diferenças metabólicas significativas entre os descendentes de centenários vs. filhos de pais não centenários, o que indica a existência de um distinto fenótipo metabólico para os filhos de pais de esperança de vida longa.


Os resultados também revelaram que o processo de longevidade afeta profundamente a estrutura e a composição da flora intestinal. As alterações observadas nos metabolitos urinários dos centenários sugerem uma remodelação metabólica complexa, incluindo a da microbiota intestinal, criando assim um equilíbrio vantajoso entre os processos inflamatórios e anti-inflamatórios.

Estas assinaturas metabólicas de longevidade e vida saudável proporcionam uma nova visão científica sobre o fenótipo responsável pelo envelhecimento saudável. “Descobrir o fenótipo metabólico da longevidade pela primeira vez é um passo importante para perceber os mecanismos biológicos do envelhecimento. Estes conhecimentos irão ajudar-nos a revelar os processos-chave necessários para os idosos viverem saudáveis e durante mais tempo,” disse o Dr. Sebastiano Collino, cientista Nestlé que lidera o estudo.

“A nossa pegada metabólica para a longevidade, recentemente relatada, precisa de uma validação adicional entre diferentes populações e origens genéticas. Depois de validado, este conhecimento abrangente ajudar-nos-á a compreender e avaliar melhor a influência das intervenções de nutrição e estilo de vida sobre o envelhecimento e longevidade” Conclui Dr. Collino.

Fonte:

Metabolic signatures of extreme longevity in northern Italian centenarians reveal a complex remodeling of lipids, amino acids and gut microbiota metabolism. Sebastiano Collino, Ivan Montoliu, François-Pierre Martin et al. PLOS ONE, 8(3): e56564. doi:10.1371/journal.pone.0056564