Dieta Nestlé para o Solar Impulse

14 Jul, 2015


Fique a conhecer um pouco mais sobre esta história

Risoto de cogumelos, batatas gratinadas e sopa de caril: a dieta que está a abastecer os pilotos do Solar Impulse na tentativa da primeira volta ao mundo realizada com um avião movido a energia solar.

Pode parecer algo simples, mas para realizar tais receitas foi necessária uma equipa de oito investigadores do Nestlé Research Center, em Lausanne, Suíça, cinco anos e mais de 6000 horas de investigação e desenvolvimento.

Liderada pela Dra. Amira Kassis, a equipa da Nestlé desenvolveu planos alimentares específicos e toda a comida que está a ser consumida pelos dois pilotos que procuram bater o recorde mundial para um voo movido a energia solar.

O grande desafio apresenta-se em alimentar os pilotos, garantindo que obtêm todos os nutrientes que necessitam durante uma viagem a uma altitude a rondar os 27,000 pés e numa cabine de voo sem pressurização. Tanto os alimentos como as suas embalagens são especialmente desenhadas para suportarem extremas variações de temperatura e várias condições climáticas. Têm que ser de simples consumo, cumprir as restrições de peso e ter um sabor agradável.

Teste das novas embalagens

Foram realizados testes dos mais variados níveis. Desde a embalagem até aos alimentos, verificando o seu comportamento às várias condições. Providenciar a melhor qualidade nutricional aos pilotos é da maior importância, e aperfeiçoar todos os elementos envolvidos levou algum tempo.”, refere a Dra. Kassis.

A altitude elevada diminui o apetite humano, desta forma as refeições dos pilotos estão divididas em duas principais categorias. Uma versão adequada para uma altitude superior a 3,500 metros, composta por elevados níveis de energia, de hidratos de carbono e gorduras, concentrado em pequenas porções. A outra versão, adequada a altitudes inferiores a 3,500 metros, centra-se em refeições com maiores níveis de proteínas e em porções maiores.

Durante esta tentativa de recorde os pilotos irão realizar longos voos, chegando a um período de 6 dias seguidos, em condições isoladas e específicas. Os intervalos para dormir serão de 20 minutos e existe pouca oportunidade para a realização de exercício físico.

Garantindo o seu conforto

A nossa tarefa não é apenas fornecer aos pilotos uma dieta nutricionalmente adequada, mas algo que se apresente como um elemento de conforto e bem-estar, ajudando-os a enfrentar todos os desafios psicológicos e físicos que têm pela frente.”, refere a Dra. Kassis.

A sua equipa de fisiologistas, nutricionistas e cientistas começaram por avaliar o perfil nutricional individual de cada piloto, incluindo as necessidades de hidratos de carbono, gorduras e proteínas, estimando ao mesmo tempo o comportamento e alterações que sofrem ao longo de uma jornada de 35,000 quilómetros, com 12 voos ao longo de 500 horas.

Os testes realizados aos pilotos na unidade de metabolismo do Nestlé Research Center avaliaram, entre outros indicadores, o seu gasto de energia. Ou seja, a medição de quantas calorias, incluindo hidratos de carbono e gorduras, o corpo humano gasta numa base diária.

Os investigadores da Nestlé mediram a massa muscular de cada piloto de forma a compreender as suas necessidades proteicas. Ao desenvolver os planos alimentares foi também tido em conta as difíceis condições físicas que os pilotos terão que enfrentar, incluindo grandes diferenças de temperatura e altitude.

Menus à medida

A Dra. Kassis e a sua equipa usaram os dados recolhidos para criarem um menu de 11 refeições diferentes e aperitivos especialmente desenvolvidos para cada piloto, e que foi testado através de simulações de voo com Piccard e Borschberg em 2012 e 2013.

Estes testes mediram fatores como as necessidades alimentares dos pilotos, o peso corporal antes e depois de um voo e o balanço das proteínas. A equipa do Nestlé Research Center usou os resultados para adequar ao máximo as refeições de cada piloto para situações reais de voo, realizaram também testes de sabor para obter informação sobre as suas preferências alimentares.

Trabalhar com os pilotos ajudou a compreender os sabores e alimentos de que mais gostam. Temos como exemplo o facto de um dos pilotos preferir comida vegetariana, enquanto outro não gosta muito de chocolate.”, refere a Dra. Kassis.

O objetivo das sessões de degustação e da concordância dos menus com os pilotos prende-se na importância destes realmente consumirem os alimentos num ambiente em que o seu apetite pode não ser o normal a que estão habituados.”

O peso dos alimentos é crítico

Armazenar e servir a comida foi outro dos grandes desafios. Apesar da aeronave possuir uma envergadura de asas superior a um Boeing 747, o avião Solar Impulse pesa tanto como um carro familiar, tal significa que os investigadores da Nestlé têm que ter em consideração o peso de toda a comida e bebida que irá a bordo, incluindo as embalagens.

O total de comida por voo não pode exceder os 2.4 quilogramas, e o volume de líquidos não pode superar os 3.5 litros (2.5 litros de água e 1 litro de bebida isotónica).

Facilidade de utilização também é vital, desta forma a sopa e as bebidas são consumidas diretamente da embalagem, limitando o risco de entornar, e os copos são flexíveis, para um rápido e fácil manuseamento. É ainda usado um saco especialmente desenvolvido para aquecer os alimentos diretamente da embalagem.

Frescura sem conservantes artificiais

Para preservar os alimentos de uma forma eficiente, a equipa da Nestlé desenvolveu um processo onde os alimentos, sem estarem cozinhados, são inseridos nas embalagens especiais e depois aquecidos e cozinhados já dentro das embalagens. Este processo sela a frescura da comida na embalagem, ajuda a manter a textura e preserva até 3 meses sem a necessidade de conservantes artificiais.

Adicionalmente, ao fácil uso e peso reduzido, as embalagens foram fisicamente testadas para suportarem as diferenças de pressão atmosférica.

O avião Solar Impulse descolou de Abu Dhabi no início de Março e a Dra. Kassis refere que nunca esteve tão entusiasmada com a sua equipa a monitorizar e gerir a dieta e as necessidades nutricionais dos pilotos ao longo dos 5 meses de voo que estão planeados.

Inovação na tecnologia

Através da parceria com o Solar Impulse, a Nestlé irá prestar suporte nas atividades educacionais relacionadas com a sustentabilidade para ajudar a maximizar o impacto deste projeto. A tentativa de recorde do mundo baseado na energia solar tem como base desafiar as perceções existentes relativamente aos voos ambientalmente sustentáveis e a Dra. Kassis acredita que disponibilizou uma forma para que também tal seja possível relativamente à sua área.

Temos vindo a mostrar as inovações tecnológicas na alimentação que desenvolvemos e preparámos para o Solar Impulse,” refere.

Os vários anos de pesquisa e os dados que recolhermos dos pilotos durante esta viagem, irão ajudar a melhorar os conhecimentos sobre o papel dos alimentos neste tipo de atividade de resistência durante os próximos anos.”